Teresa e a Moira

Teresa and the Moira

lençóis torcidos, fio de chumbo e aramida

11,8m (comprimento)

2019

 

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Teresa e a Moira é o nome que dou a uma corda de lençóis torcidos, entrelaçados a um fio de chumbo. Os lençóis usados no trabalho, trazem em sua trama manchas de sangue. Foram usados por moradores de áreas onde o conflito armado é comum, para cobrir corpos de pessoas assassinadas e deixadas nas ruas.

Chama-se “Teresa” uma corda formada por lençóis torcidos, pendurada da janela do cárcere, por onde prisioneiros descem em fuga para liberdade. A técnica tem origem em um conto cristão do séc.14. São João da Cruz, foi preso e torturado por frades da congregação e após meses de prisão e tortura, recebeu instruções de santa Teresa através de uma visão.  Assim, quando faziam uma corda de lençóis para escapar ao cárcere, os presos invocavam o nome da Santa e chamavam a corda de “Teresa”.

Moiras, na mitologia grega, eram as três irmãs que determinavam o destino. Eram responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. 

Em Teresa e a Moira, a ênfase na inflexão dos materiais opera aproximações de coisas de natureza aparentemente díspares entre si. No calor das metáforas, penso que a funcionalidade do trabalho associada a natureza dos materiais, nos coloca diante de um paradoxo.

O entrelaçamento entre a ideia de destino, fuga e liberdade.

 

 

Teresa and Moira is the name I give to a rope of twisted sheets, intertwined with a lead thread. The sheets used at work carry blood stains on the weft. They were used by residents of areas where armed conflict is common, to cover the bodies of people murdered and left on the streets.

In the jargon, "Teresa" is a rope formed by twisted sheets, hanging from the prison window, through which prisoners escape to freedom.The technique has its origin in a Christian tale of the 14th century. Saint John of the Cross was arrested and tortured by friars of the congregation and after months he received instructions from Saint Teresa through a vision, to build a rope.  Thus, when they made a rope of sheets to escape from prison, the prisoners invoked the Saint's name and called the rope "Teresa".

Moiras, in Greek mythology, were the three sisters who determined destiny. They were responsible for making, weaving and cutting what would be the thread of every individual's life. 
In Teresa and Moira, the emphasis on the inflection of materials operates approximations of things of apparently disparate materiality between them.  In the heat of metaphors, I think that the functionality of work associated with the nature of materials places us before a paradox.
The friction between the idea of fate, escape and freedom.

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